Bestigium / Mérida
Templo · 1 camada

Templo de Diana

O Templo de Diana é o único edifício religioso romano conservado em Mérida (Augusta Emerita) e um dos melhor preservados da Hispânia. Apesar do nome popular, atribuído desde o século XVII, as escavações iniciadas em 1972 demonstraram que era dedicado ao culto imperial: acharam-se esculturas do Genius Augusti e de membros da família imperial, hoje no MNAR.

Bestigium
Tipo
Templo
Conservação
De pé
Proteção
Classificado · RI-51-0000118
Classificação
13/12/1912
Coordenadas
38.91654, -6.34437
Fotografias
18
O sítio

O que é e o que resta

Construído no século I d.C., provavelmente no reinado de Tibério (14-37 d.C.), ergue-se sobre um pódio de 3,23 m de altura revestido de silhares de granito dispostos alternadamente ao comprido e a tardoz, com cornija moldurada. A sua planta rectangular mede 32 × 18,5 m; o templo é períptero hexástilo, com seis colunas na fachada e onze nos lados; as colunas alcançam os 8 m de altura, têm fustes estriados e capitéis coríntios, e foram talhadas em granito local originalmente coberto de estuque. Na sua frente abria-se uma escadaria monumental hoje perdida.

No século XVI o palácio renascentista do conde de Los Corbos foi construído no interior da cella, facto que paradoxalmente contribuiu para preservar a colunata exterior. O conjunto fazia parte do fórum colonial da cidade.

Classificado como Monumento Nacional em 1912, passou a património mundial da UNESCO em 1993 como parte do conjunto arqueológico de Mérida. Conserva-se hoje em excelente estado e pode visitar-se livremente.

O corte

O que cada época deixou aqui

Lê-se descendo: cada faixa é uma época com construção neste sítio, da mais recente à mais profunda.

25 a.C. – séc. V Nível 1
8 factos
8 fotografias
Romano

Romano

Este sítio tem construção desta época. Em Mérida há 57 outros vestígios construídos na mesma camada.

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Facto

Não era dedicado a Diana. O nome deu-lho no século XVII o historiador Bernabé Moreno de Vargas, e as escavações iniciadas em 1972 demonstraram que o templo era do culto imperial: apareceram esculturas de membros da família do imperador.

Templo de Diana (Mérida) — Wikipedia
Facto

Conserva-se tão bem precisamente porque alguém construiu dentro: no século XVI ergueu-se o palácio do conde de Los Corbos aproveitando a cella do templo como armação, e essas paredes renascentistas sustentaram as colunas romanas durante quatro séculos.

Consorcio Ciudad Monumental de Mérida
Hoje

O palácio encravado no templo foi erguido reutilizando material romano e visigodo, e a sua portada, janelas e dupla galeria continuam lá: em Junho de 2018 inaugurou-se nele um centro de interpretação do próprio templo.

Templo de Diana (Mérida) — Wikipedia
Facto

O mármore das colunas é um truque: são de granito grosseiro revestido de estuque pintado de vermelho para imitar mármore. O que hoje se admira como nobre nudez era na realidade o esqueleto de um revestimento que se perdeu.

reharq — El templo de (aunque no lo sea) Diana
Facto

O templo não estava sozinho numa praça seca: ocupava o centro de uma área sagrada ajardinada com dois tanques paralelos de ambos os lados da fachada, alimentados por canaletes de alvenaria cobertos com tijoleira.

Templo de Diana (Mérida) — Wikipedia
Anedota

O palácio encravado no templo esteve condenado: em 1972 foi expropriado para recuperar o edifício romano e ordenou-se a sua demolição. A ordem foi revogada e por isso continua de pé.

Consorcio Ciudad Monumental de Mérida — Palacio de los Corbos
Facto

As pessoas não chamavam ao palácio pelo seu conde: era a «casa dos Milagres», a mesma alcunha que se deu ao aqueduto, e pela mesma razão — o assombro de que aquilo continuasse ali.

Consorcio Ciudad Monumental de Mérida — Palacio de los Corbos
Hoje

A valorização da envolvente não foi pacífica: a pedido de associações e particulares, membros do ICOMOS-Espanha visitaram o recinto e objectaram que o edifício erguido em volta invade a área sacra do templo.

reharq — El templo de (aunque no lo sea) Diana
Bestigium
Bestigium
Bestigium
Bestigium
Bestigium
A colunata lateral: onze colunas nos lados maiores, sobre o embasamento de opus quadratum
A colunata lateral: onze colunas nos lados maiores, sobre o embasamento de opus quadratumLuis Rogelio HM · CC BY-SA 2.0
O templo com a área sacra ajardinada à frente, com os dois tanques paralelos restituídos
O templo com a área sacra ajardinada à frente, com os dois tanques paralelos restituídosFalk2 · CC BY-SA 4.0
O flanco do Palácio de los Corbos, a mansão do século XVI construída dentro do templo, visto da rua
O flanco do Palácio de los Corbos, a mansão do século XVI construída dentro do templo, visto da ruaFalk2 · CC BY-SA 4.0
Fundo do corte

Debaixo da camada mais profunda de cada vestígio está o terreno: o que ainda não foi escavado, ou o que não deixou obra. O catálogo só afirma o que está documentado.

Bibliografia e fontes

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